domingo, 12 de outubro de 2008

Um dia percebi que ia ser sempre assim...

Estava um céu carregado... De nuvens, de um tom cinzento estranho, de uma tensão que queria desprender-se. Choveu e o céu transformou-se, mas depois veio o frio. Estava frio, muito frio, senti-me desconfortável, mas achei que ia passar. Amanheceu e o sol estava tão próximo que me fez estremecer. Quase não conseguia olhar o mar, mas depois de aceitar a claridade vi-o revolto. Que estranho, pensei... Um dia tão lindo e o mar parece não pertencer aqui.
São só elementos. Pertencem a um todo. Aqui ou em outro sítio qualquer. Somos todos elementos. Partes. Membros.
Interligamo-nos de tantas maneiras, mas somos partes separadas, individuais, independentes. Os elos existem sempre em todos os momentos e podem quebrar-se por falta de manutenção.
Achamos sempre que podemos saltar para lugares que não são nossos e tentamos lá ficar por nos parecer mais seguro... Mas para a máquina funcionar, voltamos ao nosso canto.
É como quando queremos que esteja sol e calor para podermos passear e sair, e realizar os projectos que delineámos com cuidado... Quem manda planear, se não podemos controlar o sol? A solução é planear contando com todas as variáveis possíveis. Nesse curso ainda estou com muitas cadeiras em atraso. Até tenho os livros todos certos para estudar e aprender. Mas, ou por burrice, ou simplesmente por teimosia, ainda não aprendi essa parte. Fico-me nos planos delineados a pensar que vai estar sol. Depois chove e eu desabo em frustrações desnecessárias...
É teimosia, mesmo. Prefiro assim... Estar reprovada sem querer estudar, sem querer aprender.
Quem sabe? Até poderá estar sol... E tudo o que planeei dará certo.
Mas será que esta teimosia tem influência nas condições meteorológicas futuras? Ou seja, será que por querer tanto um dia de sol, a chuva, irónica e propositadamente, se impõe?
Curiosamente, bastava uma palavra, um gesto, uma atitude, um comportamento... Bastava um movimento pequeno, quase insignificante e toda a chuva seria muito mais desejada do que qualquer dia radiante de luz.
Que estranho.
Que pessoa estranha sou...
Que desejos desmedidos!
Estou presa... Amordaçada...
E isso não quero.
Não posso.
Não consigo.
Era tão fácil...
Fazíamos assim: um compromisso sensato entre as partes, nao quebrando os elos, mas mantendo a individualidade. Reforçávamos os actos em planos mais bem elaborados. Era tão fácil.
Fácil quando se sente, quando se tem vontade.
Eu tenho tanta vontade...
Será que amanhã vai estar sol? É que já está tudo planeado a contar com o sol!!!

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