sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Entre o sol e o mar

Às vezes o sol é tão forte, tão forte
Às vezes as ondas do mar são tão grandes...
Mas de que serve a luz do sol se for fraca, fria e sem cor?
E que seria da grandiosidade do mar se nos parecesse inofensivo?
Eu adoro quando o calor do sol me avassala!
Eu enfrento a força das ondas com vontade de as sentir na pele!
Só quando aceitamos que a luz tão intensa do sol é necessária,
só quando temos coragem de nos enrolarmos na violência desmedida do mar,
só então conseguimos sentir o conforto do calor
e acalmar as águas numa serenidade sem igual!
Eu tenho vontade de lá chegar...
Está aqui e tu sabes...
Já a vislumbraste um dia...
Não preciso dizer-te que se enfrentares as ondas e deixares que os raios te queimem...
Vais ganhar um azul sereno de céu e de mar...
Imenso...
Sem fim...
Vem...
Eu estou a arrefecer os raios com as gotas do mar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Como num filme

No vento que levantava as folhas pelo ar,
ela entrou segurando o casaco.
O frio ficou no cinzento das ruas escuras e perdidas em chuvas desordenadas.
Ela entrou e fixou-lhe o olhar.
Procurou a resposta nos gestos banais de um encontro comum.
Enganou a respiração descontrolada num suspiro contido,
entrelaçado no som que os envolvia...
It's been the longest winter without you
I didn't know where to turn to
Seguiu-o nos passos soltos de um correr de palavras perdidas,
encontrou-o no calor que desejava seu.
O som tornou-se mais real, e por isso mais cortante.
See somehow I can't forget you
After all that we've been through
Ouviu a música que tocava, talvez ali, talvez só na sua imaginação,
no mistério de uma miragem talvez falsa, talvez verdadeira, sentiu...
It'll all get better in time
Percebeu que ele a olhava também, no sorriso que esconde as palavras,
reparou no toque fugaz das mãos que se aproximaram.
Desligou o ritmo ouvido ou imaginado que a afastava dele,
no medo de enfrentar a possível hipótese que os afastaria assim,
num conforto de um toque de carinho, de apenas ternura,
evitando sentir o desejo perdido, recusado, negado...
Como num filme, ele aproximou-se e ela, mais uma vez,
escondeu o turbilhão dos sentidos...
E num segundo o mundo mudou, a luz chegou, o vento parou,
num segundo a música desapareceu, o medo deixou de existir,
voltou a certeza, a vontade de esperar....
No segundo em que ele a beijou, assim, sem mais, sem flores ou estrelas,
sem festejos ou festivais de cores,assim, num beijo, perdido, corrido, sentido...
Assim, como num filme...

domingo, 2 de novembro de 2008

Olhei-te o sono

Quando ainda dormias, fixei o teu rosto e imaginei os teus sonhos.
Entrei no teu mundo de desejos e conquistas e caminhos e metas.
Corri ao teu lado na força que sempre sinto quando te olho.
Observei os teus olhos cerrados na serenidade de decisões e certezas.
Refugiei-me contigo no canto escuro que o sol não quis iluminar.
Deixei-te dormir no embalo da melodia que te dediquei.
Tirei do meu rosto as marcas do pesadelo que interrompi.
Encostei os meus sonhos aos teus e viajei no teu mundo perfeito.
Encontrei-nos rodeados de elementos que nos pertencem.

Assim fiquei, contigo, no sonho, no olhar, na vontade de te abraçar...

Deslizei os meus lábios na tua face enrugada do sono e deixei-te num adeus que não senti...