sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Como num filme

No vento que levantava as folhas pelo ar,
ela entrou segurando o casaco.
O frio ficou no cinzento das ruas escuras e perdidas em chuvas desordenadas.
Ela entrou e fixou-lhe o olhar.
Procurou a resposta nos gestos banais de um encontro comum.
Enganou a respiração descontrolada num suspiro contido,
entrelaçado no som que os envolvia...
It's been the longest winter without you
I didn't know where to turn to
Seguiu-o nos passos soltos de um correr de palavras perdidas,
encontrou-o no calor que desejava seu.
O som tornou-se mais real, e por isso mais cortante.
See somehow I can't forget you
After all that we've been through
Ouviu a música que tocava, talvez ali, talvez só na sua imaginação,
no mistério de uma miragem talvez falsa, talvez verdadeira, sentiu...
It'll all get better in time
Percebeu que ele a olhava também, no sorriso que esconde as palavras,
reparou no toque fugaz das mãos que se aproximaram.
Desligou o ritmo ouvido ou imaginado que a afastava dele,
no medo de enfrentar a possível hipótese que os afastaria assim,
num conforto de um toque de carinho, de apenas ternura,
evitando sentir o desejo perdido, recusado, negado...
Como num filme, ele aproximou-se e ela, mais uma vez,
escondeu o turbilhão dos sentidos...
E num segundo o mundo mudou, a luz chegou, o vento parou,
num segundo a música desapareceu, o medo deixou de existir,
voltou a certeza, a vontade de esperar....
No segundo em que ele a beijou, assim, sem mais, sem flores ou estrelas,
sem festejos ou festivais de cores,assim, num beijo, perdido, corrido, sentido...
Assim, como num filme...

1 comentário:

Anónimo disse...

Poderia dizer uma de duas coisas, "sem palavras ou execpional"... sem saber o que dizer... demasiado forte e emotivo este pequeno texto.

Os meus sinceros parabens pela facilidade de expressão!!!

Luísa