domingo, 12 de abril de 2009

Espaços

És como o sol que atrais,
perigoso e delicioso.
És o sorriso que me ofereces,
no desprender dos gestos.
És o calor que me prende,
ao movimento do corpo.
Assim, num crescendo que não imaginei,
num medo que não pensei sentir.
Fica enquanto puderes,
na certeza do que somos agora.
Talvez me libertes do espaço que ainda não sei abrir,
talvez eu te encontre no espaço que não queres mostrar.
E nas perguntas que agora fazemos
está um caminho por descobrir.
Percorremos?

O fim

Foge o tempo perdido
Em horas e dias escassos.
Passam sem saber se sussuram
As palavras que quero ouvir.
Mais um dia em vão,
menos horas que ficam.
Foge, sem abrandar
a contagem que se esgota.
E sem saber chegarão ao fim
os sorrisos e as lágrimas,
as palavras e os gestos.
No fim, que se aproxima assim.
Anunciado, previsto, temido ou desejado,
enfim o fim...
Estranha incerteza me deixas,
ferindo o que ainda resta,
nas lembranças do que nunca foi...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Gira... Sol!

Naquele dia, pedi ao sol que nascesse à tua porta.
Pedi-lhe que girasse à tua volta e te envolvesse.
O sol chegou e abraçou-te, girou em torno do teu corpo...
E tu nem notaste.
Naquele dia, tu disseste "Para ti. Sim, para ti uma flor."
Gira, Sol
Gira, Sol
Mas não era para mim a tua flor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Digam-me...

Digam-me que não estou só...
Digam-me que não sou a única...

Que chora e desespera por um amor que se perdeu,
Que não consegue desistir de uma vida que sonhou,
Que luta sem fim por uma pequena oportunidade,
Que sonha acordada ou a dormir com o cheiro da pele dele,
Que segue em caminhos estranhos na vontade de um olhar,
Que enfrenta a força do mar só para o poder encontrar,
Que repete palavras e movimentos perdidos no cansaço,
Que sorri no momento de um simples som,
Que se ridiculariza em tentativas vãs,
Que inventa razões que justifiquem um fim assim,
Que esconde a verdade por medo de a enfrentar,
Que pede palavras crueis para poder seguir em frente,
Que as condena se as ouve de seguida,
Que prefere não ouvir o que ele disse,
Que desespera na ausência que os dias trazem,
Que se rebela contra a tristeza que devia querer apagar,
Que mesmo assim segue em frente e até sorri,
Que mesmo assim deixa a porta aberta não deixando ninguém entrar,
Que percorre caminhos em buscas perdidas,
Que os repete sem vergonha de saber não encontrar,
Que espera...
Que ama e espera...

Digam-me que não sou a única...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Perdida

Nas horas e minutos, nas noites que se sucedem sempre infinitas...
Perdida.
Nas imagens que não consigo apagar, nos sons que ainda me ensurdecem...
Perdida.
Em caminhos confusos que se cruzam numa paisagem escura...
Perdida.
Na rota que ainda sigo, automática procura...
Perdida.
Na impossibilidade de entender os sorrisos e palavras...
Perdida.
Em outros perfumes, em outros sorrisos, tão longe...
Perdida.
Na ponte vislumbrada que não me permito atravessar...
Perdida.
No vazio dos braços que tento apertar e sentir...
Perdida.
No silêncio onde me deixaste, no silêncio que provavelmente nunca aprendi a ler.
Perdida.
Em mim. De mim. Por nós.
Perdida.